
Areia nos Dentes (Não Editora, 2008)
Em seu apartamento na Cidade do México, um velho, entre uma dose e outra de tequila, escreve a história de seus antepassados. É uma trama de rivalidade entre duas famílias, os Ramírez e os Marlowes, em um remoto povoado do Velho Oeste. Um assassinato e a vinda de um ortodoxo xerife compõem uma história que rompe os limites da própria literatura morte.
O que foi dito
Antônio Xerxenesky, logo em seu primeiro romance, demonstra não só preferência pelo gênero como seu provável domínio, tendo a chance de se firmar como um ótimo romancista com o tempo sempre a favor. Por mais que os fãs (como eu) dos filmes de Sergio Leone, por exemplo, estejam familiarizados com algumas situações e estruturas de diálogos, o autor conduz, com autenticidade, o leitor ao meu inevitável clichê da montanha-russa de sentimentos: numa página, altíssimas gargalhadas; na seguinte, a torcida pelo casal; mais à frente, uma vontade descomunal de duelar com o primeiro que avistar. Ou então de saber para onde o vento leva a areia.
— Renata Miloni – Le Monde Diplomatique
Antônio Xerxenesky surge como um escritor hábil e, contrariamente ao que afirma na dedicatória do livro ao pai, bem-humorado. As estratégias narrativas são sempre denunciadas pelo próprio autor, anulando a ideia de “efeitos especiais” desnecessários. (…) Ao contrário do que pode parecer, não é fácil contar uma história de faroeste no Brasil. No livro de Xerxenesky, a evidência do pastiche se mistura a um gosto pessoal pelo gênero, tributário do cinema americano. Guardando as devidas proporções — para o sucesso não subir à cabeça de nosso autor — este me parece ser o segredo de Philip K. Dick em Blade Runner e de J. G. Ballard em Crash ou Running Wild.
— Beatriz Resende – Copa de Literatura Brasileira
Xerxenesky segue, ainda que apenas em parte, a estratégia narrativa de Ricardo Piglia: conta uma história na superfície e outra no fundo. Embora ele pareça gostar mais da narrativa de fundo (e é um direito dele como criador, foi o que o motivou), os leitores poderão perfeitamente se identificar com a narrativa da superfície (que não é superficial, prestem bem atenção). E se divertir com um livro que entretém sem ser raso. E que faz pensar sem ser didático.
— Fábio Fernandes, jornalista, escritor e tradutor.
Xerxenesky recompõe o gênero através de um tipo de ressurreição transtornada e muito divertida, tanto da linguagem quanto das personagens que ela compõe. E, assim, o faroeste retorna como se fosse novo, tão velho como o gênero romanesco, tão viçoso como a boa literatura.
— Ricardo Lísias – O Estado de São Paulo
Por que ler: Em primeiro lugar, porque se trata de um faroeste, uma ousadia se tratando de literatura brasileira. Depois, porque não é um faroeste: há drama nos personagens, uma história convincente e um texto rápido, estruturado em camadas – como convém a um pós-moderno.
— Revista Aplauso #95
Tem zumbis no meio.
— Daniel Galera, escritor, autor de Mãos de cavalo
Xerxenesky não brinca apenas com as histórias, ele brinca com a forma de contá-las, desmanchando parágrafos em opções de múltipla escolha, mudando fontes, embaralhando letras, mudando a narrativa para a formatação de roteiro, dividindo página ao meio, usando o aspecto visual para passar as sensações. (…) Um experimentalismo bem-vindo em tempos de mesmice.
— Eric Novello – Aguarrás
Xerxenesky encontrou na hibridização entre o faroeste da década de 60 e a metanarrativa que caracteriza parte da literatura pós-modernista, uma ótima maneira de contar uma história sobre um pai, um filho e alguns zumbis. Estranho, não? Mas em um momento no qual surgem tantos escritores que apenas repetem fórmulas já desgastadas e os prêmios literários – salvo raras exceções – coroam os mesmos autores de sempre, um romance esquisito e corajoso como o de Xerxenesky sem dúvida chama atenção. Classificar Areia nos dentes é difícil sim. Mas lê-lo é fácil, fácil. E bastante divertido também.
— Laura Assis – Geléia Geral



