A página assombrada por fantasmas (Rocco, 2011)
Leitores, escritores famosos, escritores fracassados, tradutores, detetives literários, crianças descobrindo os poderes das narrativas. Em seu terceiro livro, e primeiro inédito pela Rocco, Antônio Xerxenesky reúne nove contos conectados e conduzidos pelas leituras e maneiras de ler de seus personagens, textos nos quais os narradores entregam aos leitores as lentes capazes de enxergar os fantasmas que assombram as palavras e as páginas.
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O que foi dito
Grandes leitores não só devoram livros, mas deixam-se por eles devorar. Jovem leitor nascido em 1984, Antônio Xerxenesky reverteu (mas não eliminou) o papel de “vítima” dos livros ao se tornar escritor. A sua criativa relação com a literatura percorre, de ponta a ponta, “A página assombrada por fantasmas”, coletânea de nove contos lançada pela Rocco. O livro, de fato, nos assombra a cada relato.
— José Castello – O Globo
Na primeira destas nove histórias, na cena inicial, um sujeito lê um livro. Ainda não sabemos, mas essa imagem, essa réplica em escala reduzida do leitor real, prefigura um tema: são as leituras, e sobretudo as maneiras de ler, que fazem avançar os contos de A página assombrada por fantasmas, terceiro livro de Antônio Xerxenesky. (…) A paranoia deflagrada pela leitura é uma das maneiras de ler os contos deste livro. Mas existem outras. Trata-se também de textos que homenageiam e ironizam os gêneros. E de um mundo cujas promessas de aventura se cumprem exclusivamente nos livros ou a partir deles. E de um jovem escritor de Porto Alegre. E de planos de fuga – através da ficção.
— Emilio Fraia
Areia nos Dentes (Não Editora, 2008 / Rocco, 2010)
Em seu apartamento na Cidade do México, um velho, entre uma dose e outra de tequila, escreve a história de seus antepassados. É uma trama de rivalidade entre duas famílias, os Ramírez e os Marlowes, em um remoto povoado do Velho Oeste. Um assassinato e a vinda de um ortodoxo xerife compõem uma história que rompe os limites da própria morte.
O que foi dito
O primeiro romance de Antônio Xerxenesky é um pastiche sombrio, estranho, protagonizado por caubóis e zumbis. Isso mesmo, caubóis e zumbis. Sua trama é como uma paisagem de De Chirico ou Salvador Dalí, na qual objetos e conceitos anacrônicos aparecem colados. (…) No romance de Xerxenesky, o bangue-bangue e o terror juntam-se com muita seriedade. Por isso é tão divertido: a mitologia moderna é pura bricolagem.
— Nelson de Oliveira – Guia da Folha de S. Paulo
Antônio Xerxenesky, logo em seu primeiro romance, demonstra não só preferência pelo gênero como seu provável domínio, tendo a chance de se firmar como um ótimo romancista com o tempo sempre a favor. Por mais que os fãs (como eu) dos filmes de Sergio Leone, por exemplo, estejam familiarizados com algumas situações e estruturas de diálogos, o autor conduz, com autenticidade, o leitor ao meu inevitável clichê da montanha-russa de sentimentos: numa página, altíssimas gargalhadas; na seguinte, a torcida pelo casal; mais à frente, uma vontade descomunal de duelar com o primeiro que avistar. Ou então de saber para onde o vento leva a areia.
— Renata Miloni – Le Monde Diplomatique
Antônio Xerxenesky surge como um escritor hábil e, contrariamente ao que afirma na dedicatória do livro ao pai, bem-humorado. As estratégias narrativas são sempre denunciadas pelo próprio autor, anulando a ideia de “efeitos especiais” desnecessários. (…) Ao contrário do que pode parecer, não é fácil contar uma história de faroeste no Brasil. No livro de Xerxenesky, a evidência do pastiche se mistura a um gosto pessoal pelo gênero, tributário do cinema americano. Guardando as devidas proporções — para o sucesso não subir à cabeça de nosso autor — este me parece ser o segredo de Philip K. Dick em Blade Runner e de J. G. Ballard em Crash ou Running Wild.
— Beatriz Resende – Copa de Literatura Brasileira
Xerxenesky segue, ainda que apenas em parte, a estratégia narrativa de Ricardo Piglia: conta uma história na superfície e outra no fundo. Embora ele pareça gostar mais da narrativa de fundo (e é um direito dele como criador, foi o que o motivou), os leitores poderão perfeitamente se identificar com a narrativa da superfície (que não é superficial, prestem bem atenção). E se divertir com um livro que entretém sem ser raso. E que faz pensar sem ser didático.
— Fábio Fernandes, jornalista, escritor e tradutor.
Xerxenesky recompõe o gênero através de um tipo de ressurreição transtornada e muito divertida, tanto da linguagem quanto das personagens que ela compõe. E, assim, o faroeste retorna como se fosse novo, tão velho como o gênero romanesco, tão viçoso como a boa literatura.
— Ricardo Lísias – O Estado de São Paulo
Por que ler: Em primeiro lugar, porque se trata de um faroeste, uma ousadia se tratando de literatura brasileira. Depois, porque não é um faroeste: há drama nos personagens, uma história convincente e um texto rápido, estruturado em camadas – como convém a um pós-moderno.
— Revista Aplauso #95
Tem zumbis no meio.
— Daniel Galera, escritor, autor de Mãos de cavalo
Xerxenesky não brinca apenas com as histórias, ele brinca com a forma de contá-las, desmanchando parágrafos em opções de múltipla escolha, mudando fontes, embaralhando letras, mudando a narrativa para a formatação de roteiro, dividindo página ao meio, usando o aspecto visual para passar as sensações. (…) Um experimentalismo bem-vindo em tempos de mesmice.
— Eric Novello – Aguarrás
Xerxenesky encontrou na hibridização entre o faroeste da década de 60 e a metanarrativa que caracteriza parte da literatura pós-modernista, uma ótima maneira de contar uma história sobre um pai, um filho e alguns zumbis. Estranho, não? Mas em um momento no qual surgem tantos escritores que apenas repetem fórmulas já desgastadas e os prêmios literários – salvo raras exceções – coroam os mesmos autores de sempre, um romance esquisito e corajoso como o de Xerxenesky sem dúvida chama atenção. Classificar Areia nos dentes é difícil sim. Mas lê-lo é fácil, fácil. E bastante divertido também.
— Laura Assis – Geléia Geral



